Por princípio, a bioconstrução se utiliza de recursos naturais presentes no local da obra. No caso do Brasil, na maioria das regiões, com exceção de regiões amazônicas, o recurso local mais abundante e tecnicamente propício para se construir nesses territórios é a terra, o solo do próprio terreno ou proximidades.

As construções de barro, ou terra crua, são ancestrais e ocorrem em diversos lugares do mundo. Os dados variam entre 30 e 60% da população mundial vivendo em casas de terra ainda nos dias de hoje. Conheça 7 técnicas de construção com terra crua:

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1. Pau a pique ou casa de taipa
A tradicional técnica do norte e nordeste brasileiros usa uma terra argilosa com pelo menos 40% de argila. A massa de terra bem molhada, mas não a ponto de virar lama, é colocada manualmente numa espécie de estrado vertical, ou um gradeado, feito com varas, galhos ou cipos grossos, encontrados nas redondezas da obra, previamente armados na linha das paredes.

2. Cob
Usa uma terra com até 40 a 50% de argila, acima disso é necessário acrescentar um pouco de areia. Consiste numa massa feita da mistura de terra com palha seca. Sua aplicação é como se fosse uma massa de modelar, na qual você já vai aplicando na linha da parede, diretamente sobre o chão, sem o gradeado do pau a pique, nem qualquer outro tipo de forma ou escora. Após seca, esta parede vira um monolito, sendo uma estrutura bastante resistente.

3. Adobe
O adobe é tradicional da região centro oeste e sudeste do Brasil, são os tijolos feitos de terra. Usa o mesmo tipo de terra do pau a pique, porém são produzidos os tijolos antes de serem usados nas paredes. A massa de terra é aplicada dentro de uma forma retangular com dimensões definidas em função do tamanho do tijolo desejado. Após preenchimento da forma ela é imediatamente retirada e aquela tijolo mole fica secando no pátio por cerca de 15 dias. Depois de seco, basta retirar o tijolo e usa-lo nas paredes, como um tijolo maciço. O assentamento dos tijolos normalmente é feito com a mesma massa que foi usada nos tijolos.

4. Superadobe
É uma técnica de terra ensacada, pode usar praticamente qualquer tipo de solo que esteja disponível no terreno, inclusive solos cascalhentos desde que contenha uma parte de argila ou silte. A massa feita com a terra local umedecida até o ponto de parecer uma “farofa” como se fala nas obras, é colocada dentro de sacos de ráfia que vão sendo alinhados formando as paredes. É uma técnica com altíssima capacidade estrutural, podendo ser usada como parede autoportante, isto é, receber o peso de um telhado, por exemplo.

5. Hiperadobe
É uma variação do superadobe que utiliza um saco vazado, feito com o mesmo material plástico de tela de sombrite. Sua vantagem é que a espessura final da parede é menor, economizando trabalho e terra, e que pelo saco ser vazado, a execução do reboco é mais fácil do que no superadobe.

6. Taipa de Pilão
Outra técnica ancestral de recorrente ao redor do mundo. Consiste na construção das paredes se utilizando de uma forma feita com tábuas, madeirites ou chapa metálicas, disposta paralelamente entre si e presas aos pilares da obra. Esta espécie de caixa comprida vai sendo preenchida com a massa de terra pura, ou misturada com palha seca que depois é pilada com um pilão manual que compacta a terra até virar um monolito. Após o preenchimento completo desta fiada, move-se a forma para cima e repete-se o procedimento.

7. Tijolo de solo-cimento
A técnica do solo-cimento se vale de uma mistura de 10 partes de terra para 1 parte de cimento. Essa quantidade de cimento, aliada ao procedimento de prensagem, feito numa máquina semi manual, na qual o operador adiciona a mistura de terra e cimento e movimenta uma alavanca que propicia a compactação da massa na forma dos tijolos. Após isso, basta secar por sete dias e se obtém um tijolo semelhante ao tijolinho maciço de cerâmica, muito utilizado em paredes de tijolos aparentes.

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