Texto extraído da dissertação de mestrado de Cláudio CJ

Originalmente, no final dos anos 70, a Permacultura foi concebida como um método de agricultura permanente, porém com seu desenvolvimento, nos dias de hoje se apresenta como sendo uma proposta para uma “cultura humana” permanente. Daí nasce o termo cunhado pelos cientistas Bill Mollison e David Holmgren em 1974, da contração, do inglês Permanent mais Culture, Permaculture. Rapidamente o termo surgido na Austrália, difundiu-se pela América do Norte e Europa, chegando à América Latina e ao Brasil em meados dos anos 80.

No Brasil, foi traduzida como permacultura, porém assim como a agroecologia, ainda não consta em todos os dicionários da Língua Portuguesa. Desta construção etimológica do termo pode-se trazer algumas considerações importantes:

A Permacultura se propõe a ser uma possibilidade de organização de diversas atividades humanas, referentes à sua própria existência, tais como sua organização socioespacial, produtiva e ambiental. Isto implica dizer que a permacultura pretende ser mais do que apenas uma prática agrícola conservacionista.

Ao trazer a palavra permanente, remonta a um entendimento de sustentabilidade que implica a capacidade de manter, por um longo período de tempo indeterminado, a base de recursos necessários para a sobrevivência das futuras gerações.

Influências

Uma das grandes influências no início da permacultura, foi a agricultura natural de Masanobu Fukuoka, que, em linhas gerais, defendia a menor intervenção possível no solo e a recusa por insumos externos à propriedade rural. Porém, com uma grande influência da visão sistêmica e sob a ótica da Teoria de Gaia, houve a incorporação dos demais aspectos básicos da ocupação humana no planeta, que além da produção alimentar, são, entre outros: habitações; oferta de água e saneamento; geração e oferta de energia. A percepção de que a problemática ambiental está relacionada ao suprimento de todas as necessidades básicas da espécie humana foi fundamental para a construção epistemológica (ainda em processo) da permacultura. Minimamente, a permacultura apresenta uma ferramenta metodológica de desenho ambiental em ecossistemas antrópicos, ou seja, os agroecossistemas em sentido lato.

Multidisciplinaridade

Isto implica dizer que dentre o método de desenho e ocupação de solo permacultural estão embutidos os conhecimentos de diversas áreas do conhecimento humano, que vão desde a arquitetura e a engenharia, à bioquímica, passando pelas ciências agrárias e biológicas. Todas fundamentadas por um prisma ecológico que se vale objetivamente do saber empírico das comunidades tradicionais na realidade onde se aplica, bem como trás um aspecto regionalista na intervenção.

Em outras palavras, a permacultura:

É o planejamento e execução de ocupações humanas sustentáveis, unindo práticas ancestrais aos modernos conhecimentos das áreas, principalmente, de ciências agrárias, engenharias, arquitetura e ciências sociais, todas abordadas sob a ótica da ecologia.

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